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Foto: Ale Anselmi  (Instagram: @alanselmi)

Risos, expressões de surpresas e consternação, lágrimas disfarçadas e muita torcida por um “final feliz” foram as reações na plateia que ocupou a quase totalidade do auditório do Unibes Cultural na manhã de terça-feira, dia 05 de dezembro para a exibição do documentário “A idade do amor”.

O filme convida a acompanhar pessoas reais em busca da oportunidade de encontrar um novo amor após os 70 anos, levantado um tema pouco abordado: o relacionamento amoroso e o desejo na terceira idade. O ponto de partida é a organização de um speed dating* voltado apenas para quem tem entre 70 e 90 anos. Um debate realizado após o filme deixou clara a necessidade da abertura de mais e maiores espaços para a reflexão sobre o direito de pessoas idosas amar e serem amadas, exatamente o objetivo visado com a ação.

O evento no Unibes Cultural marcou o término do projeto Cinedebate. Idealizado e executado pela Dínamo Editora, que publica a revista Aptare, e composto por 10 sessões realizadas ao longo de 2017, sempre seguidas por discussões intermediadas por psicólogas especializadas em envelhecimento, o Cinedebate reuniu, no total, 1500 idosos.

O grande destaque do encerramento foi contar com a presença do diretor do documentário, Steven Loring. Ele contou que esperava encontrar resistência às filmagens, porém o que aconteceu foi o contrário. “O que percebi é que todos queriam ser ouvidos. Uma participante ficou muito feliz de, finalmente, alguém perguntar como ela se sentia com relação à sua vida amorosa”, comentou. Segundo ele, a percepção foi muito parecida nos 15 países onde o filme foi exibido. “Por não serem mais consideradas pessoas produtivas, que não têm mais com o que contribuir com a sociedade, os idosos são vistos apenas como avós ou avôs e se tornam invisíveis para todo o resto”.

A psicóloga Valmari Cristina Aranha, que mediou o debate em seis locais de exibição, afirmou que a temática motivou os idosos presentes. “Em todos os locais, a pergunta que mais fizeram foi quando organizaríamos um speed dating que eles pudessem participar”, disse. Ela destacou a importância de os diversos profissionais que atendem esta faixa etária abordarem o assunto em qualquer oportunidade. “Geralmente, só quando a depressão já instalada é que se questiona como estão os relacionamentos em geral”.

Para Carmita Abdo, fundadora e coordenadora geral do ProSex do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, há um descompasso entre homens e mulheres com relação à vida sexual, já que dados mostram que metade das mulheres após os 60 anos dizem não mais ter vida sexual ativa, enquanto este percentual é bem menor entre os homens. “No entanto, muitos idosos que estabelecem relacionamentos com mulheres mais novas comentam não encontrar uma verdadeira afinidade, o que eles realmente querem é alguém para compartilhar experiência de vida”, destacou.

O diretor científico do CEPCoS (Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade), Hugues França Ribeiro, foi um dos que assistiu ao documentário tendo como meta levar pontos para serem discutidos com a equipe de terapeutas sexuais. Ele tem notado um aumento no número de idosos que buscam apoio no Centro. “Esta é uma população que encontra muitas barreiras para poder expressar seus anseios no que diz respeito à vida amorosa, por preconceito e tabus”, disse.

“O projeto teve um impacto muito grande na vida dos participantes, mas também foi de grande aprendizado para nós, que idealizamos a iniciativa. As trocas que tivemos com os idosos foi muito rica e mostraram que sim, eles ainda têm sonhos, desejos e vontades. E isso não pode ser ignorado”, afirmou Lilian Liang, editora da revista Aptare.

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Foto: Ale Anselmi  (Instagram: @alanselmi)

 

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