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Um dos pontos altos do XXI Congresso da IAGG foi o lançamento do Hartford Index of Societal Aging, um índice capaz de mostrar uma estimativa de como países estão se adaptando ao envelhecimento demográfico. Mais do uma classificação, segundo os pesquisadores envolvidos – entre eles o atual presidente da IAGG, John Rowe –, o objetivo é instrumentalizar os países na adoção de políticas públicas voltadas às reais necessidades de sua população idosa, sabendo, de antemão, seus pontos altos e fracos.

O recurso foi desenvolvido por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento da Mailman School of Public Health da Columbia University e do Schaeffer Center for Health Policy & Economics da University of Southern California, com o apoio da The John A. Hartford Foundation. O investimento na ferramenta foi de cerca de 220 mil dólares durante cinco anos de desenvolvimento.

O Hartford Index of Societal Aging considera cinco itens para avaliação – produtividade e engajamento, bem-estar, equidade, coesão e seguridade, divididos, por sua vez, em outras categorias (conforme quadro abaixo). “Devemos ir além da relação de dependência e métricas, como o PIB (Produto Interno Bruto), que negligencia muitos dos fatores críticos que influenciam a função da sociedade”, afirmou Rowe, no dia do lançamento.

Cada uma das categorias e dos domínios recebeu um peso distinto a ser considerado na pontuação de cada um dos países. Esses pesos foram atribuídos por 12 experts ligados à Aging Society Network, de áreas multidisciplinares, entre eles o próprio Rowe e Linda Fried.
Pesos para os domínios

Domínios Peso igual (%) Peso atribuído pelos estudiosos (%)
Produtividade e engajamento 20 22
Bem-estar 20 25
Equidade 20 18
Coesão 20 17
Seguridade 20 19

Pesos para as categorias

Domínios Categorias Peso da categoria
Produtividade e engajamento Participação na força de trabalho para pessoas com 65 anos (proporção da população acima de 65 na força de trabalho)

– Fonte OECD

35
Idade de aposentadoria efetiva – Fonte OECD 26
Tempo que as pessoas acima dos 65 anos gastam em ações de voluntariado  – Fonte OECD 22
Reciclagem: educação não formal para pessoas entre 55 e 64 anos (proporção da população nessa faixa etária que participa de educação não formal)

– Fonte OECD

17
Bem-estar (medidas objetivas e subjetivas quanto ao estado de saúde) Bem-estar objetivo – expectativa de vida na idade de 65 anos

– Fonte OECD

70
Bem-estar subjetivo – satisfação de vida entre pessoas acima dos 50 anos – Fonte Gallup 30
Equidade (medida do
gap no bem-estar
e segurança econômica entre o ter e não ter)
Coeficiente de Gini para pessoas com 65 anos ou mais (grau de desigualdade de distribuição de renda em um país) – Fonte OECD 30
Risco de pobreza para pessoas com 65 anos ou mais (proporção de pessoas cuja renda esteja abaixo da linha de pobreza) – Fonte OECD 24
Segurança alimentar para pessoas com 65 anos ou mais (Na Europa, a porcentagem de pessoas vivendo em lares que não têm condições de ter refeições com carne, peixe ou proteína equivalente; nos Estados Unidos, lar em que uma ou mais pessoas passaram fome algumas vezes durante o ano porque não podiam comprar comida)

– Fonte Eurostat, USDA

16
Índice de pessoas que chegaram ao ensino médio entre a população entre
55 e 64 anos (ensino médio ou superior)
13
Índice de pessoas com idade entre 55 e 64 anos que fizeram o terceiro grau 17
Coesão (mede a tensão entre gerações e conexão social)

 

Confiança em seus vizinhos – para pessoas com 50 anos ou mais – Fonte World Value Survey 23
Apoio pessoal entre pessoas com 65 anos ou mais (pessoas que relatam ter parentes ou amigos com quem possam contar)  – Fonte OECD 34
Transferências intergeracionais com outros grupos, para pessoas com 65 anos ou mais – Fonte National Transfer Accounts 22
Moradia compartilhada intergerações para pessoas com mais de 65 anos (idosos que vivem com filhos) – Censos dos países 21
Seguridade (medidas de segurança e de apoio para aposentadoria, incluindo fatores físicos e econômicos) Renda para pessoas acima dos 65 anos – Fonte OECD 34
Valor líquido da pensão (valor do fluxo dos benefícios de pensão, considerando impostos e contribuições de seguridade social que os aposentados têm de pagar) 24
Despesa pública com cuidados em longo prazo (% do PIB) – Fonte OECD 18
Segurança física (porcentagem da população que declara sentir-se segura quando anda à noite na região onde mora ou em sua cidade) – Fonte OECD 14
Dívida externa do governo (% do PIB) 10

 

A vantagem do índice é conseguir, a partir de fontes de dados já existentes dos países – por exemplo, o PIB – e de avaliações de instituições como a Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD), calcular notas para os domínios e fazer o ranking. Nessa primeira fase, os cálculos foram feitos para 18 países. A melhor posição entre eles é da Noruega, ainda que a nota geral recebida pelo país tenha sido 65 de um total de 100. “Isso mostra que mesmo a Noruega precisa melhorar em muitos aspectos para oferecer melhor bem-estar para seus habitantes idosos”, afirmou Dana Goldman, doutor em economia e professor do Schaeffer Center. No entanto, mais do que ver o resultado final, o índice permite observar em quais domínios e categorias os países têm melhor ou pior resultado.

O Brasil não está entre os países analisados, mas, segundo os pesquisadores, em poucos meses será possível calcular o índice para o país a partir da ferramenta on-line, desde que os dados sejam inseridos (o Index pode ser acessado em http://agingsocietynetwork.org/john-hartford-index-societal-aging).

Na ferramenta on-line é possível modificar ou anular os pesos atribuídos pelos experts da Aging Society Network. O passo seguinte, segundo Goldman, é permitir que outros aspectos – como gênero e religiosidade, por exemplo – possam ser considerados.

A diferença do Hartford para outros índices, como o Active Aging Index, o Global Agewatch Index, o Index of Well Being e o Sucessful Aging Index, segundo Rowe, é considerar aspectos sociais e de bem-estar que são importantes em se tratando de medir se uma sociedade está envelhecendo de maneira bem-sucedida. “Focamos mais nos resultados do que nas políticas de cada país, mas o próximo passo deve ser examinar quais políticas importam e influenciam os resultados”, explicou Rowe.

 

Hartford Aging Index

Noruega 65,0
Suécia 62,0
Estados Unidos 59,8
Holanda 59,5
Japão 59,1
Irlanda 57,6
Dinamarca 57,5
Alemanha 55,0
Finlândia 54,6
Espanha 52,7
Reino Unido 51,9
Áustria 50,4
Bélgica 43,3
Itália 36,5
Eslovênia 35,2
Estônia 33,3
Polônia 31,4
Hungria 23,5