Uma verdadeira injeção de ânimo (e de esperança) para qualquer pessoa sedentária é a trajetória percorrida por Tomiko Eguchi, de 66 anos, para se tornar uma ultramaratonista. Ao contrário de um relato de alguém que sempre amou a rotina da academia e continua ativa apesar da idade, Tomiko nunca tinha se interessado em fazer exercícios físicos até ser diagnosticada com osteoporose aos 48 anos. À época trabalhando como auxiliar de enfermagem, o dia a dia puxado era basicamente ir de casa para o trabalho e do trabalho para casa.  O choque foi grande pelo aparecimento precoce da doença, mas a indicação para caminhar dada pelo médico só foi seguida anos mais tarde, quando esta japonesa, que chegou ao Brasil ainda criança, alcançava os 52 anos de idade.0ea8df1e-92eb-42ea-90a2-2fd0056c5ab0

Logo após começar a andar regularmente no Parque da Aclimação, em São Paulo, a facilidade de fazer amizades levou Tomiko a conhecer alguns frequentadores do local, que a incentivaram a participar de provas de corrida. Um pouco reticente, foi.

 “Na minha primeira prova, errei o percurso e, ao invés de seguir com o grupo que ia correr 12 km, me juntei com a turma de 6 km, de ritmo mais forte e terminei em 30 minutos. Foi então que percebi que gostava mesmo daquilo”, lembra ela, que meses depois já participava de sua primeira Corrida de São Silvestre e não pararia mais.

Nestes quatorze anos de corridas, Tomiko já completou mais de 80 ultramaratonas (provas com distâncias maiores que 42,195 quilômetros); e em julho deste ano, munida de sua mochila de hidratação, percorreu nada menos do que 235 km em estradas que cortam a Serra da Mantiqueira ao participar da Ultramaratona dos Anjos Internacional.

O contato com a natureza, aliás, é um dos fatores de motivação. “Também estive na chamada maratona das 28 praias e é muito legal, além de ar puro, sons de pássaros, passamos por trilhas, riachos e vemos cachoeiras, um visual lindo que nos permite ver a grandeza de Deus. Fiquei me perguntando quantos litros de tinta Deus gastou para pintar um quadro tão bonito”, descreve, revelando outra marca sua, que é a religiosidade.

Atualmente, Tomiko vai à academia duas vezes por semana para fazer musculação e aulas de pilates e corre pelas ruas do bairro da Aclimação cinco ou seis dias da semana, além, claro, de participar de todas as provas que pode. Apesar de ter começado a correr sem qualquer orientação profissional, desde 2007 conta com ajuda de um profissional de Educação Física e vinha sendo assessorada pela equipe do CardioEsporte, tendo passado pelo Hospital Dante Pazzanese. Agora, passará a ser acompanhada por especialistas em cardiologia do esporte do Hospital São Paulo, que, inclusive, pretendem levantar dados de Tomiko para pesquisas.

Tendo se tornado uma entusiasta da corrida, o natural é que deseje que cada vez mais pessoas incluam a atividade no dia a dia. “Pode começar com uma caminhada leve, depois aumentar o ritmo, passando para um trotinho, pode ir devagar não precisa correr logo de cara. E nada de dizer que não tem tempo. Avaliando bem, todo mundo acha tempo para ver novela, por exemplo; dedicar-se 40, 50 minutos, já é um bom começo”, sugere. Ela garante que o esforço compensa: há mais qualidade de vida e disposição logo ali. “Além disso, é um tempo para mim. É um momento em que entro em sintonia com Deus, bato um papo legal com ele”, diz.

Com todos os indicadores de saúde em dia, há cerca de cinco anos ela estava sendo submetida a um exame de densitometria óssea quando o médico que realizava o exame comentou, com muito cuidado, que havia sinais de uma pequena osteopenia (sinais de descalcificação). “Ele só foi entender porque ri de felicidade ao receber esta notícia quando disse que 10 anos antes em uma condição muito pior, com toda coluna cervical podendo ser comprometida pela osteoporose. Alimentação saudável, complemento de cálcio e, claro, a corrida, fizeram a doença regredir mais de 90%”, finaliza.