Acompanhe os destaques da cobertura especial do IAGG, o maior evento internacional de geriatria e gerontologia; a versão completa deste 21º Congresso estará na próxima edição da Revista Aptare:

EM DESTAQUE
Foi lançado oficialmente hoje o Hartford Index of Societal Aging, um índice capaz de fazer uma estimativa de como países estão se adaptando ao envelhecimento demográfico. O objetivo é instrumentalizar os países na adoção de políticas públicas voltadas às reais necessidades de sua população idosa.
O recurso foi desenvolvido por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento da Mailman School of Public Health da Columbia University e do Schaeffer Center for Health Policy & Economics da University of Southern California, com apoio da The John A. Hartford Foundation. O investimento na ferramenta foi de cerca de US$ 220 mil durante cinco anos de desenvolvimento.
O Hartford Index of Societal Aging considera cinco itens para avaliação – produtividade e engajamento (inclui educação, idade de aposentadoria, entre outros); bem-estar (expectativa de vida com saúde aos 65 anos e sentimento de satisfação com a vida); equidade (segurança alimentar, educação básica, entre outros); coesão (definida como tensão entre gerações e laços sociais); e seguridade (renda para adultos acima dos 65 anos, segurança física para idosos, entre outros).
A partir de notas atribuídas para os critérios que constituem os domínios, aplica-se uma fórmula e são obtidas notas. Inicialmente, foram realizadas as avaliações para 18 países. A melhor posição entre eles é da Noruega, ainda que a nota geral recebida pelo país tenha sido 65 de um total de 100. “Isso mostra que mesmo a Noruega precisa melhorar em muitos aspectos para oferecer melhor bem-estar para seus habitantes idosos”, afirmou Dana Goldman, doutor em Economia e professor do Schaeffer Center (foto).
O Brasil não está entre os países analisados, mas, segundo os pesquisadores, em poucos meses será possível calcular o índice para o país a partir da ferramenta on-line, desde que os dados sejam inseridos (o Index pode ser acessado em http://agingsocietynetwork.org/john-hartford-index-societal…).

ESTUDOS E INICIATIVAS
• Um grupo de pesquisa canadense apresentou os resultados preliminares de um estudo que relaciona velocidade de marcha e cognição. Confira os detalhes na entrevista com João Cação, professor adjunto da Faculdade de Medicina da FAMERP, aqui.

 

• A Alzheimer’s Association é a principal organização de voluntários nos EUA voltada para a causa da doença de Alzheimer. Entre os trabalhos desenvolvidos pela entidade estão uma helpline 24 horas, grupos de apoio, recrutamento de pacientes para estudos clínicos e lobby no Congresso. Saiba um pouco mais sobre a organização na entrevista com a especialista senior em cuidado e apoio Janice Flinner, disponível aqui.

 

• Ana Cristina Procópio Aguiar, coordenadora da pós-graduação em gerontologia e residência multiprofissional em gerontologia do Hospital Israelita Albert Einstein, comenta a aula sobre influências de fatores precoces no risco de declínio cognitivo e doença de Alzheimer. A aula foi ministrada pela professora Laura Fratiglioni, do Instituto Karolinska, na Suécia. Veja os detalhes na entrevista aqui.

PÔSTERES

  • Roberto Miranda, geriatra e cardiologista da Unifesp, explica os detalhes do estudo apresentado na sessão de pôsteres do evento. O trabalho aborda a relação do consumo de sódio e a rigidez das artérias, bem como seus impactos, em idosos 80+. O estudo foi conduzido no contexto do estudo Longevos. Assista ao vídeo aqui.

 

  • O título do pôster era suficiente para fazer as pessoas pararem para ler – afinal, quem não quer saber o que é o envelhecimento bem-sucedido? O pesquisador Matthew Dungan, da Brigham Young University, fala sobre os achados de seu estudo e comenta as peculiaridades encontradas no envelhecimento da população latina. Confira a entrevista aqui.

 

  • O trabalho da fisioterapeuta Etienne Duim, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, já deu o que falar no Brasil. Por causa dele, deu-se início a um importante debate sobre a discrepância entre o tempo oferecido e o tempo necessário para que os pedestres, especialmente idosos, cruzem a rua. Agora, o trabalho vem gerando trocas no exterior. Confira detalhes da pesquisa no vídeo, aqui.

 

  • A professora da Universidade de Delaware Elizabeth Orsega-Smith se surpreendeu com o interesse dos participantes em seu trabalho sobre a aplicação de um programa para idosos baseado nos princípios do livro “A Arte da Felicidade”, de autoria do Dalai Lama com Howard Cutler. Os resultados foram animadores. Saiba mais detalhes na entrevista aqui (em inglês).
  • Maysa Seabra Cendoroglo, professora da Disciplina de Geriatria e Gerontologia da EPM/Unifesp, é uma das especialistas brasileiras que apresentaram pôsteres no segundo dia do evento. Seu trabalho aborda um dos temas mais comentados da atualidade: a importância da vitamina D e sua relação com quedas e mortalidade. Confira a apresentação da pesquisa aqui.

 

EVENTOS PARALELOS

  • A exposição comercial do 21o Congresso Mundial da IAGG tem cerca de 100 expositores, entre universidades, associações e laboratórios. Veja o que acontece por lá!

ÚLTIMO DIA –  Os desafios dos idosos LGBTs

No último dia do 21º Congresso Mundial da IAGG, a sessão “Idosos LGBT na Australia, Brasil e Estados Unidos: pesquisa, prática e fundamentos” trouxe alguns dados e percepções em relação aos desafios que essas pessoas enfrentam no envelhecimento.

Nos Estados Unidos, 25% dos idosos LGBTQ não têm a quem recorrer – seja um familiar ou amigo – em caso de emergência. Por esse motivo, cresce o número de pessoas que se apoiam nas chamadas ‘famílias por escolha’, envolvendo múltiplas gerações LGBTQ.

Na Austrália, 50% das pessoas transgêneros já tentaram suicídio uma vez na vida. Em 2013, foi implementada a Emenda sobre Discriminação Sexual e, a partir dela, todos os provedores de serviços de saúde e de cuidados precisam garantir inclusão, mesmo aqueles ligados a religiões.

No Brasil, o levantamento de dados ainda está sendo realizado, conforme apresentou Alexandre Kalache, presidente da ILC Global Alliance. No entanto, o especialista contou os desafios que a população LGBT enfrenta no país, mostrando o paradoxo dessa situação com a legalização do casamento de pessoas do mesmo sexo nos anos recentes e a descriminalização do homossexualismo desde 1830. “Mas o copo está meio cheio”, afirmou Kalache, explicando que as políticas e as pesquisas sobre o tema estão caminhando no país.

TERCEIRO DIA – Idosos e o acesso à tecnologia

Os idosos querem mais ofertas de cursos on-line e, nesse grupo etário, são as mulheres quem mais acessam a Internet. Essa foi a conclusão de alguns estudos sobre tecnologia e home care apresentados no terceiro dia do 21º Congresso da IAGG.

A pesquisadora Anne-Marie Lipphardt, do Innovation in Learning Institute, da Alemanha, apresentou os resultados de um estudo realizado com idosos na Alemanha, França, Finlândia, Irlanda e Espanha mostrou que 61% deles, mesmo incluindo os que têm pouca experiência em usar a Internet, gostariam de fazer cursos on-line. “Talvez” foi a resposta para 29% dos respondentes, e apenas 10% disseram que não seriam adeptos do e-learning.

Entre as motivações para o uso dessa tecnologia estão a pressão social, ficar em condições de igualdade com as gerações mais jovens, ter acesso à informação, manter contato com outras pessoas e aceitação de que a Internet faz parte da ‘vida moderna’ .

Outro estudo, apresentado por Darren Liu, da Universidade de Maryland, apontou, a partir de uma base de dados com mais de 2 mil idosos que se declararam usuários da Internet, que o perfil daqueles que mais navegam na rede, nos Estados Unidos, é prioritariamente composto por mulheres, na faixa dos 60 anos, com boa saúde, sendo atendidas apenas em cuidados primários.

SEGUNDO DIA – Cuidados paliativos para pacientes com demência

Trabalho pós-aposentadoria e cuidados paliativos para pacientes com demência no final da vida foram dois dos temas tratados no segundo dia no 21º Congresso Mundial da IAGG.

Ignacio Madero-Cabib, pesquisador do Departamento de Sociologia da Universidade do Chile, apresentou sua pesquisa realizada na Suíça, um dos países de maior índice de trabalhadores pós aposentadoria. Os resultados, embora reflitam a sociedade suíça, podem indicar muito a respeito de outros países, inclusive o Brasil, pois apontam que a maior vulnerabilidade entre as pessoas acima dos 54 anos que continuam no mercado de trabalho está entre mulheres viúvas e homens com entrada tardia no sistema de pensão local. Esses se veem obrigados a trabalhar a fim de ter maior qualidade de vida.

A sessão que discutiu cuidados paliativos para pacientes com demência apresentou diferentes realidades entre as modalidades de cuidado nos diferentes países, como Estados Unidos, Reino Unido e Holanda. Os estudos trouxeram, em comum, a necessidade que as famílias sentem de receber maior retorno por parte das instituições onde seus familiares vivem e recebem tratamento. Intervenções pensadas para a realidade de cada instituição e para cada paciente são mais bem-sucedidas em promover maior satisfação entre os familiares.

A discussão ressaltou a dificuldade de comparabilidade entre os estudos dos diferentes países devido às distintas estruturas de acolhimento, moradia e cuidados para idosos. No entanto, ressaltou-se a importância de haver um médico dedicado ao serviço (o que não é realidade nas ILPIs do Reino Unido) e da atuação de uma equipe multidisciplinar especializada em cuidados de gerontologia e cuidados paliativos.

PRIMEIRO DIA –  Preconceito etário

Clique aqui e confira o vídeo com um resumo do primeiro dia do evento.

https://www.facebook.com/RevistaAptare/videos/1562228707184533/

No primeiro dia do XXI IAGG World Congress of Gerontology & Geriatrics, o preconceito etário (ageism) foi um dos temas discutidos, com contribuições de pesquisadores norte-americanos, mas também de outros países, como Israel, Espanha e Malta.

Um dos destaques foi a apresentação de Mary Wyman, da Universidade de Wisconsin, que compartilhou sua pesquisa sobre as atitudes de cuidadores em relação ao envelhecimento. Nos Estados Unidos, 85% dos idosos que precisam de auxílio para atividades diárias têm a assistência de cuidadores informais, sejam eles esposas e esposos ou outros familiares.

A pesquisa entrevistou 116 mulheres cuidadoras acima dos 60 anos (até 90 anos) que cuidavam de idosas. Metade delas eram familiares e a outra metade eram vizinhas. Observou-se a importância de uma visão positiva em relação aos idosos cuidados, já que isso tem influência direta na maneira como as cuidadoras encaram o seu próprio envelhecimento. O componente cultural teve bastante impacto na visão positiva do envelhecimento – as cuidadoras afro-americanas apresentaram os maiores índices de visão positiva em relação às idosas de quem cuidam.

Na mesma manhã, outras abordagens em relação ao preconceito etário foram trazidas por pesquisadores, mostrando como essa visão negativa do envelhecimento gera preconceito social, bem como é interiorizada pela própria população idosa.

CERIMÔNIA DE ABERTURA –  Envelhecimento populacional

A cerimônia de abertura do 21º IAGG Congresso Mundial de Gerontologia e Geriatria aconteceu no domingo à noite no Moscone Center, em São Francisco. O evento contou com a presença de dois importantes nomes da área, Joan Ann Jenkins, CEO da AARP, e Linda Fried, reitora da Mailman School of Public Health da Columbia University. Na ocasião, o presidente da IAGG gestão 2014-2017 Heung Bong Cha empossou o novo presidente, John Rowe, da Mailman School of Public Health da Columbia University, que assume a instituição até o ano de 2021, data do 22º Congresso da IAGGE, que acontecerá em Buenos Aires, Argentina.

Em sua apresentação, Joan Ann Jenkins abordou seu conceito de ‘disrupt aging’ e de como o envelhecimento populacional deve ser visto de maneira positiva, a partir das oportunidades que ele traz para que as nações pensem políticas públicas para que as pessoas vivam mais e melhor. Joan criticou a política de saúde norte-americana que privilegia os mais jovens e dificulta o acesso dos idosos à saúde, tornando-a mais cara para essa faixa etária. Confira a íntegra de seu discurso aqui.

Encerrando a noite, Linda Fried abordou o envelhecimento populacional e o aumento na expectativa de vida como constituintes do “terceiro dividendo demográfico”. Ela apresentou ainda projetos que mostram como os idosos podem contribuir de maneira significativa para a sociedade, gerando valores que, se mensurados, seriam superiores aos gastos com a saúde em longo prazo. “Precisamos ver o envelhecimento populacional e o aumento da expectativa numa relação de ganha-ganha”, diz Fried. “Ganham os idosos em qualidade de vida e ganham a sociedade e as novas gerações com a experiência e o conhecimento deles”. Veja a íntegra de seu discurso aqui.

 

 

DEPOIMENTOS

  • Roberto Miranda, cardiologista e geriatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é um dos especialistas brasileiros no congresso da IAGG. Ele conta sobre novos achados do estudo SPRINT – Systolic Blood Pressure Intervention Trial. Assista aqui.

 

  • Alexandre Kalache, presidente da Aliança Global da ILC, fala sobre a importância do congresso da IAGG e o que ele representa para o Brasil. Assista aqui.